Texto de Candidatura - António Araújo


No dia 6 de Junho de 2009, era eleito o candidato da Lista C, José Eduardo Bettencourt com uma percentagem esmagadora de 89,43%, algo surpreendente para alguém que era apontado como “o da continuidade”.

Em quase 20 meses à frente do Sporting, Bettencourt deixou marca, sem dúvida, não só pelos resultados menos bons do grande Sporting mas também pelas contratações que fez e pelas suas afirmações. No período Bettencourt, foram gastos 39 milhões de euros na equipa de futebol, onde estão incluídos passes de jogadores, ordenados e prémios de assinatura para jogadores como Miguel Ángel Angulo, Maniche ou Hildebrand. Nos 25 milhões gastos em contratações é escandaloso o caso de Sinama-Pongolle, a segunda contratação mais cara de sempre na história do nosso clube para um jogador em claro sub-rendimento e, na minha opinião, o caso de Paulo Sérgio é, no mínimo, surrpreendente porque não tenho qualquer dúvida que o trabalho que fez no Sporting não vale os 600 mil euros que foram pagos ao Vitória de Guimarães. As contratações de Jaime Valdés e de Marco Torsiglieri foram boas apostas, apesar de achar que o valor do passe do Valdés(3 milhões) seja um pouco elevado para a sua idade. João Pereira, Pedro Mendes e Evaldo foram os jogadores que tinham mais hipóteses de dar certo em Alvalade e todos corresponderam às expectativas, com excepção de Evaldo que tem vindo a piorar, apesar de ter sido decisivo em jogos europeus.

O ponto “alto” da era de José Eduardo Bettencourt no Sporting foi a saída de João Moutinho, o nosso capitão e jogador modelo da formação, para o FC Porto. Esta transferência foi a prova que o futebol do Sporting não era um grupo forte, que pessoas como Bettencourt e Costinha não dominavam o balneário e que os assuntos internos constantemente saíam para as capas dos jornais. Depois de ouvirmos “Paulo Bento forever!”, ouvíamos agora Bettencourt a dizer que Moutinho se tratava de uma “maçã podre” no balneário.

Resumindo, a passagem de JEB por Alvalade não foi positiva para o clube, afastou ainda mais adeptos do estádio e, sendo realista, fez com que o Sporting se distanciasse ainda mais dos rivais não em grandeza mas em objectivos atingidos.

Após a demissão de José Eduardo Bettencourt, foram marcadas eleições para o dia 26 de Março de 2011. A campanha começou e os debates tinham quase sempre vencedores diferentes mas, à medida que o dia decisivo se aproximava, percebeu-se que se tratava de uma luta a dois: Bruno de Carvalho e Godinho Lopes. Esperava-se portanto, uma grande afluência às urnas por parte dos sócios. Já na madrugada de dia 27, as televisões anunciavam que o novo presidente tinha o nome de Bruno de Carvalho. Os sportinguistas que se encontravam na Praça Centenário, na maioria jovens apoiantes de Bruno de Carvalho festejaram até quando souberam que, afinal, seria Godinho Lopes o escolhido, o caos instalou-se.

Sinceramente não concordo com aqueles que dizem que Godinho Lopes é o presidente do Sporting e Bruno de Carvalho é o presidente dos sportinguistas, porque, uma vez eleito, Godinho Lopes é o presidente de todos nós. Confesso que nos debates, Godinho não me agradou muito mas no seu primeiro dia como presidente marcou presença num programa da Sic Notícias e aí gostei do que disse e como defendeu o Sporting. A tarefa que Godinho tem em mãos no futebol do Sporting é bastante complicada, como todos sabemos, mas se tiver os TODOS os sportinguistas ao seu lado e darem o seu apoio nos bons e nos maus momentos a tarefa difícil torna-se um pouco mais fácil. Quando digo TODOS falo dos que têm mais anos de sócio, a maior parte votou em Godinho, até aos que têm poucos anos de sócio, a maior parte votou em Bruno de Carvalho.

A actual época que está a acabar foi um desastre e apenas o 3º lugar no campeonato pode fazer com que esse desastre não seja tão grande. No campeonato, é impensável que uma equipa “grande” seja melhor fora de casa do que em casa, que conceda empates contra equipas perfeitamente acessíveis e é visível que o Braga está muito perto de ultrapassar o Sporting(nesta época ja ultrapassou). Na Liga Europa, o Sporting é eliminado nos descontos por um Rangers muito fraco, perfeitamente acessível e é com tristeza que vejo que o Sporting não se inclui nas três equipas portuguesas que chegaram às meias-finais da prova. Na Taça de Portugal perdemos com o Vitória de Setúbal, mais uma prova de que esta época correu mal para o Sporting. Na Taça da Liga, tudo se decidiu nos descontos mais uma vez. Desta vez foi contra o Benfica que perdemos e, nesta época, o Sporting não conseguiu ganhar nenhum dos “clássicos”.

Visto que nesta época só nos resta lutar pelo 3º lugar no campeonato, começamos a pensar no que nos espera para a época 2011/2012. Tudo aponta para que o treinador seja Domingos Paciência. Muitas pessoas têm apoiado uma revolução no plantel com mais de dez contratações com dois ou três jogadores da formação mas eu apoio que tem de haver sim, uma revolução na mentalidade da equipa e um projecto sólido para o futebol, só depois as contratações. O Domingos parece-me capaz de criar uma equipa lutadora e unida e de escolher os reforços a dedo.

Têm surgido muitos nomes e muitos planteis para a próxima época e eu acho que as contratações feitas não devem ser de risco, devem ser pelos valores certos e não devem ser jogadores que tenham muitos problemas de lesões (caso do A.Rodríguez do Braga).

Na próxima época não peço para ser campeão (com muita pena minha) peço antes que o Sporting apresente um bom futebol, que chegue longe em todas as competições e que lute pelo 2º lugar (pelo menos!) porque eu quero ver o estádio cheio!


VIVA O SPORTING!

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